Inep admite erro nos cartões de resposta do Enem 2010, mas descarta anular o exame
06/11 às 17h12BRASÍLIA, RIO e SÃO PAULO - Um erro no cabeçalho dos cartões de respostas de todos os modelos das provas do Enem surpreendeu os mais de 3,5 milhões de estudantes (entre 4,6 milhões de inscritos) que fizeram o exame, adotado como acesso total ou parcial por diversas universidades brasileiras. Enquanto o caderno de questões informava que as questões de 1 a 45 eram da área de Ciências da Natureza e da 46 a 90 eram da área de Ciências Humanas, nos cartões de resposta a indicação era inversa. O MEC admitiu que o problema atinge todo o país. O presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto, no entanto, afirmou que o problema "foi pontual" e descartou a anulação do exame. De acordo com ele, os fiscais orientaram os alunos a preencher os cartões de respostas pela ordem em que as perguntas apareciam na prova. Mas alunos de diferentes partes do país relataram ter sido orientados a inverter a ordem do preenchimento. Além disso, também houve um erro em parte das provas amarelas , que traziam uma folha de questões da prova branca.
Vídeo: candidatos do Rio comentam as informações desencontradas dadas pelos fiscais de sala O Ministério Público Federal de São Paulo afirmou que vai analisar, na segunda-feira, o problema no gabarito e, se achar necessário, pode pedir a anulação da prova.
- O MPF já ingressou com uma ação antes do exame para pedir o cancelamento da prova por causa da proibição do lápis. Qualquer irregularidade que houver, o MPF pode tomar as medidas cabíveis, visando a defender coletivamente s intreressados, assim como fez no caso da proibição do lápis, da borracha e do relógio - disse a procuradora Maria Luiza Grabner.
Acompanhe aqui a correção on-line da prova
Leia mais: Falta de luz e erros nos cartões de confirmação atrasam candidatos; em SP, fiscais são escolhidos na última hora O estudante Wang Guohuan, 22 anos, fez a prova no Instituto Superior de Ensino do Rio de Janeiro, na Tijuca, e contou que o fiscal da sua sala deu três orientações diferentes a partir do momento em que o erro foi detectado. Primeiramente, ele pediu aos candidatos que invertessem a marcação, tomando-se a 45 como 1, e assim sucessivamente. Depois, afirmou que a ordem do caderno de perguntas deveria ser seguida. E, por fim, orientou os alunos a fazer um "x" sobre a resposta marcada incorretamente e assinalar, ao lado, a correta. Como a apuração das respostas será eletrônica, por meio de um leitor ótico, dificilmente essa opção dará um bom resultado. Leia mais: MEC estuda criar site para analisar casos de estudantes que marcaram os cartões de forma errada
- Foi um caos. Todos reclamavam, e o fiscal não sabia o que dizer. Num certo momento, ele disse que quem já tinha começado a preencher erradamente perdeu, que reclamasse com o Inep. Se anularem esta prova, terá sido um grande tempo perdido. Se não anularem, vai ter muita gente protestando, porque as orientações foram realmente muito desencontradas - afirmou.
Candidatos que fizeram as provas deste sábado (Ciências da Natureza e Ciências Humanas) no campus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no Maracanã, também reclamaram.
- Ninguém avisou nada. Só depois que um aluno reclamou é que chamaram o coordenador na sala e confirmaram que havia uma inversão. Eles disseram para fazer a prova normalmente e que isso não influenciaria na correção, já que a leitura óptica identificaria corretamente - contou Danielle Lippert, 16 anos. (Veja também: Prova entra pro trending topics do Twitter depois de virar piada e gerar mensagens positivas e negativas)
O aluno Lucas Prata, que fez a prova na unidade Lapa da Universidade Estácio de Sá, contou que um fiscal chegou a fornecer corretor líquido (liquid paper) para os alunos corrigirem os cartões de respostas.
- Cheguei a passar liquid paper em oito questões por orientação do fiscal. Estou com medo de a leitora ótica não conseguir detectar a resposta correta
O estudante que não foi informado do erro no cabeçalho da folha de resposta do primeiro dia do Enen e preencheu o cartão de maneira invertida poderá requerer a correção ao contrário na próxima semana. Essa informação foi dada neste sábado pelo presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto. Segundo ele, o estudante poderá pedir a revisão da correção pela internet.
- Ninguém vai ser prejudicado - sustentou Soares Neto. - De forma alguma (o erro) coloca a credibilidade do exame em questão.
Ele informou que, das 4,6 milhões de pessoas inscritas, 3,5 milhões compareceram aos locais da prova.
O casal de namorados Luisa Cortes e Tiago Pinto é outra prova de que as orientações dos fiscais variaram de acordo com o local de realização do Enem 2010. Ele fez a prova amarela na sala 213 do Instituto de Educação, na Tijuca, e recebeu a ordem de respeitar a numeração das questões da prova no cartão de resposta. Ela, que fez a mesma prova amarela na sala 607 da Universidade Estácio de Sá da Rua do Riachuelo, na Lapa, fez o contrário, respeitando a indicação do fiscal.
Tiago conta que as dúvidas começaram aos 10 minutos de prova, quando foi, incialmente informado de que a orientação era inverter a ordem das questões ao marcar o cartão.
- O fiscal disse que era para marcar a resposta da questão 1 na 46 no cartão de respostas.Algumas pessoas já tinham começado a preencher, mas foram informados de que deviam anotar alguma coisa, não reparei bem. Mas, 20 minutos depois, o fiscal veio e deu a orientação contrária, de que a gente respeitasse a ordem das questões da prova no cartão. Tudo muito confuso - diz Tiago, que estuda música na UFRJ, mas quer cursar na Unirio.
Já Luisa fez tudo diferente, também por orientação do fiscal.
- Eu e todas as pessoas da minha sala invertemos a ordem das questões na cartela. Dei a resposta da 1 na 46. O fiscal falou o seguinte: o que importa é o cartão de resposta, ninguém vai provar que os cabeçalhos foram trocados. Nós perguntamos se ele tinha certeza, e ele disse que ia ligar para Brasília. Depois disso, voltou e confirmou a ordem de invertermos - reclama ela, que esperava usar o resultado do Enem para tentar uma vaga em Direito na UFRJ
Outra estudante que estava na mesma sala, Luisa Azevedo, aluna do Colégio Santo Inácio, contou ter ligado para o SAC do Inep (0800-616161) e ter sido informada de que não será prejudicada por inverter a ordem das respostas no cartão. Segundo os atendentes, "cada caso" será analisado na correção.


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